III Fórum Nacional de Museus Indígenas

Data: 19 a 21 de outubro de 2017

Local: Comunidade indígena de Nazaré, povo Tabajara (Lagoa de São Francisco, Piauí)

Realização: Rede Indígena de Memória e Museologia Social do Brasil

Apresentação

O III Fórum Nacional de Museus Indígenas do Brasil é o principal encontro de povos indígenas que protagonizam processos museológicos comunitários e participativos em seus territórios no Brasil, sendo organizado pela Rede Indígena de Memória e Museologia Social desde 2015.

A Rede Indígena de Memória e Museologia Social, que congrega organizações e iniciativas de memória indígenas, surgiu em 2014 com o objetivo de aproximar povos que possuem museus comunitários e realizam ações colaborativas e participativas em memória e patrimônio cultural no Brasil, através da realização de encontros, intercâmbios e formações para a auto-gestão museológica, baseadas na autonomia, na participação e no trabalho coletivo.

As duas primeiras edições desde encontro, que aconteceram nos estados do Ceará (Museu dos Kanindé, aldeia Sítio Fernandes, Aratuba-CE, maio de 2015) e de Pernambuco (Museu Kapinawá, aldeia Mina Grande, Buíque-PE, agosto de 2016), possibilitaram o crescimento desta Rede, a ampliação de seus participantes e o conhecimento mútuo entre as diversas coletividades que vem atuando com projetos de memória, patrimônio cultural e museologia comunitária no Brasil.

O III Fórum Nacional de Museus Indígenas tem como principais objetivos efetuar um intercâmbio entre povos indígenas para a troca de experiências, conhecimentos e saberes, a articulação interinstitucional e a formação em rede. Além de indígenas de todo país, o encontro contará também com a participação de representantes da Red America de Museos Comunitarios e da Unión de Museos Comunitarios de Oaxaca (UMCO), configurando a culminância de um diálogo efetuado entre integrantes da Rede Indígena de Memória e Museologia Social e representantes de museus indígenas e comunitários da América Latina que estão organizados através de redes.

Por que o III Fórum Nacional de Museus Indígenas será no Piauí?

Na plenária final do II Fórum Nacional de Museus Indígenas, realizado na aldeia Mina Grande (Terra Indígena Kapinawá, estado de Pernambuco) estavam lançadas três candidaturas para receber a terceira edição do encontro: a do povo Huni Kuin, do Acre, dos Tupinambá da Serra do Padeiro, da Bahia, e a dos povos indígenas do Piauí. Os dois primeiros acordaram retirar suas propostas em troca de um consenso visando apoiar a realização do III Fórum Nacional de Museus Indígenas no estado do Piauí.

A historiografia sobre o Piauí narra o desaparecimento e o esquecimento do sujeito histórico indígena. O ensino da temática indígena na Educação Básica piauiense é letra morta. Os livros didáticos ou possuem um hiato explicativo da situação indígena no território do Piauí ou narram a inexistência dos povos indígenas através da explicativa de uma exterminação completa, “aculturação” ou “mestiçagem”. De fato, hegemonicamente, para a História Oficial, sempre ufanista dos colonizadores, o lugar da memória histórica das diversas etnias que habitavam o território que hoje categorizamos como Estado do Piauí é inexistente, esquecido e-ou silenciado. Historicamente, este processo esteve atrelado à cultura do boi, com a carne transformada em mercadoria de exportação. A pecuária possibilitava “colonizar” o que se tornaria, séculos depois, o Nordeste do Brasil. Este processo de (des)ocupação tinha como intencionalidade “limpar” o território dos chamados “povos bárbaros”. Entretanto, apesar dos ataques violentos às suas culturas, fruto da necessidade de lucro mercantilista dos “colonizadores” ou do processo de “cristianização”, por parte da Igreja, os nativos não deixaram de resistir. Isto pode ser atestado no conhecido “Levante Geral dos Tapuias do Norte”, liderado pelo guerreiro Mandu Ladino, nas primeiras décadas do século XVIII.

Embora os primeiros contatos entre os invasores e as sociedades indígenas no Piauí tenham ocorrido ainda no século XVI, a região foi uma das últimas áreas de mais antiga colonização no atual território brasileiro no qual avançou e se estabeleceu o impacto da ação colonizadora, através das fazendas de gado, principalmente a partir da segunda metade do século XVII. Em meados do século XIX, foi uma das primeiras províncias a afirmar a inexistência de populações indígenas em seu território, dadas como extintas e assimiladas na massa da população dita civilizada. Embora incontáveis registros históricos neguem esta suposta “extinção”, a história oficial tratou de reafirmar continuamente a versão de que as populações indígenas no Nordeste haviam desaparecido, enquanto estas organizavam revoltas e se mobilizavam ante o avanço capitalista sob seus territórios.

Embora existam abundantes e antiquíssimos registros históricos da presença de populações indígenas em todo o atual território piauiense, como atestam, por exemplo, os diversos relatos de cronistas sobre a presença de populações ameríndias em diversos pontos do litoral e do sertão durante os séculos XVI e XVII, e também da grande quantidade de inscrições rupestres e de material arqueológico, desde o Norte e o Centro até o Sul do Estado; a existência contemporânea de indígenas ainda é alvo de polêmicas, tendo em vista uma visão genérica que predomina entre o senso comum, baseada em estereótipos, preconceitos e em uma perspectiva folclórica que pouco condiz com a dinâmica realidade destas populações.

Nos últimos anos surgiram várias reivindicações por direitos específicos oriundas de organizações indígenas junto ao Ministério Público Federal. Destaca-se a reivindicação da Associação Indígena Itacoatiara de Piripiri, o ressurgimento de grupos étnicos indígenas na região da Serra Grande (Ibiapaba) e no município de Queimada Nova, região Sudeste do Estado.

Atualmente, existem cinco reivindicações por reconhecimento étnico, na região Norte e no Sudeste do Piauí. Destacam-se as mobilizações dos Cariris da Serra Grande (Queimada Nova), dos Codó Cabeludo (municípios de Brasileira e Pedro II) e dos Tabajaras de Piripiri, organizados na Associação Itacoatiara, fundada em 2005. Na localidade Canto da Várzea, também em Piripiri, foi criada a organização indígena Associação Tabajara Y-pi. Além destas, a comunidade indígena Tabajara de Nazaré, no município de Lagoa de São Francisco, que receberá o III Fórum Nacional de Museus Indígenas, protagoniza nos últimos anos um crescente processo de organização em torno do reconhecimento étnico.

Foi justamente com o objetivo de fortalecer a luta dos povos indígenas do Piauí na construção de uma nova história – que parte do ponto de vista das populações que habitavam este território antes da chegada dos invasores europeus – que o III Fórum Nacional de Museus Indígenas ocorrerá no Estado.

Em sua terceira edição, o Fórum Nacional de Museus Indígenas acontecerá nos dias 19, 20 e 21 de outubro de 2017 na comunidade Nazaré do povo Tabajara, localizada na zona rural do município de Lagoa de São Francisco, estado do Piauí, região Nordeste do Brasil. O encontro será promovido através de uma parceria entre a Rede Indígena de Memória e Museologia Social e as organizações que dela participam, a Associação dos Povos Indígenas Tabajara Tapuio Itamaraty da Comunidade Nazaré e os demais povos indígenas do estado do Piauí.

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Rede Indígena de Memória e Museologia Social do Brasil

Comissão Organizadora – III  Fórum Nacional de Museus Indígenas

19 a 21 de outubro, Lagoa de São Francisco, Piauí – Brasil